Opala verde encontrada em Castelo do Piauí tem potencial comercial

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Uma nova ocorrência de opala predominantemente verde foi identificada em Castelo do Piauí, a cerca de 190 quilômetros de Teresina. A gema apresenta características diferentes das variedades mais conhecidas no estado e, segundo pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (IFPI), possui qualidade e volume com potencial para exploração comercial.

A descoberta foi apresentada nesta segunda-feira (31), na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), pelo geólogo e professor do IFPI Érico Gomes e pela pró-reitora de Extensão da instituição, Divamélia Gomes. Os estudos incluem análises mineralógicas, gemológicas e testes de lapidação.

Érico Gomes explicou que pequenas quantidades de opala verde já foram encontradas em Pedro II, mas destacou que a ocorrência registrada em Castelo do Piauí chama atenção pela quantidade e pela qualidade do material. “Em Pedro II, de vez em quando aparece um pouco dessa opala verde junto com a opala tradicional. O que está se destacando nessa ocorrência de Castelo é a pujança, o volume encontrado e a qualidade da opala”, afirmou o geólogo.

De acordo com o pesquisador, os primeiros ensaios apresentaram resultados positivos. A próxima etapa será a caracterização do chamado “DNA da opala”, trabalho que permitirá identificar particularidades e diferenciar a gema encontrada em Castelo das ocorrências registradas em outros locais. “Os testes realizados até o momento apresentaram resultados promissores. Agora, vamos iniciar o processo de caracterização do DNA da opala, que já vem sendo feito com as pedras de Pedro II e Buriti dos Montes, em parceria com um instituto gemológico americano”, explicou Érico Gomes.

A opala tradicional de Pedro II é conhecida pelo “jogo de cores”, efeito óptico que produz reflexos em diferentes tonalidades. Já a opala encontrada em Castelo é classificada como opala comum ou opala de fogo e apresenta uma cor predominante, sem o mesmo fenômeno visual.

Segundo Érico, essa diferença está relacionada à estrutura interna da gema e à maneira como a luz atravessa as pequenas esferas de sílica que formam a pedra. “Na opala de Pedro II, essas esferas estão organizadas e funcionam como uma rede de difração, separando as cores da luz. Na opala comum, os espaços entre as esferas foram preenchidos, fazendo com que a luz atravesse a pedra e revele apenas a cor dominante”, detalhou o professor.

Além da importância científica, a ocorrência pode impulsionar atividades econômicas ligadas à lapidação, ourivesaria, produção de joias, artesanato e turismo. A proposta é capacitar jovens e trabalhadores da região para agregar valor à matéria-prima e gerar renda nos municípios. “Queremos levar capacitação e formar pessoas em lapidação, ourivesaria, design e empreendedorismo. Castelo e Buriti dos Montes já possuem atrativos turísticos importantes. Por que o visitante não poderia levar também uma joia produzida com a opala da própria região?”, ressaltou o geólogo.

O pesquisador explicou ainda que mais de 20 municípios piauienses possuem condições geológicas favoráveis à formação de opalas e outros minerais, como ametista, citrino e quartzo. Entre eles estão Castelo do Piauí, Buriti dos Montes, Pedro II, Piripiri, Alto Longá, Beneditinos, Batalha, Barras, Esperantina, Floriano e Picos.

Esse potencial estaria relacionado a eventos geológicos ocorridos entre 100 milhões e 200 milhões de anos atrás, durante a fragmentação do supercontinente Pangeia. O contato de materiais quentes do interior da Terra com aquíferos teria desencadeado processos capazes de dissolver e transportar sílica, posteriormente depositada na forma de opala.

“Esses municípios possuem um potencial ainda pouco conhecido. Grande parte dessas ocorrências nunca foi estudada ou pesquisada. Agora, estamos ampliando esse trabalho por meio do Arranjo Produtivo Local da Opala, com o apoio da Fapepi e do CNPq”, concluiu Érico Gomes.

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