Diesel no Piauí subiu mais de R$ 1 na bomba desde início da guerra

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A escalada da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, já se reflete no bolso do consumidor piauiense. Em menos de um mês de conflito, todos os principais combustíveis vendidos nos postos do Piauí ficaram mais caros, com aumentos médios que variam de 8% a 17%, segundo os levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

Os números chamam atenção porque a pressão internacional atingiu, em tese, principalmente o mercado do diesel. Mas, no Piauí, a alta foi além. Até o etanol hidratado subiu, o que reforça a desconfiança de repasses acima do impacto direto do cenário externo. Diante dessa disparada, o governo federal anunciou ações de fiscalização com participação da PF, da ANP, do Cade e de órgãos de defesa do consumidor, enquanto também houve mobilização para apurar aumentos considerados injustificados.

No Piauí, o avanço foi sentido de forma clara nas bombas. O etanol saiu de R$ 4,64 na semana do início do conflito para R$ 5,01 na pesquisa mais recente da ANP, referente ao período de 15 a 21 de março, uma alta real de R$ 0,37. A gasolina aditivada passou de R$ 6,15 para R$ 6,76, aumento de R$ 0,61. Já a gasolina comum, a mais consumida, saltou de R$ 5,95 para R$ 6,60, avanço de R$ 0,65. O caso mais pesado foi o do diesel, que subiu de R$ 6,04 para R$ 7,08, uma diferença de R$ 1,04 por litro.

Em termos percentuais, o retrato é ainda mais duro: o etanol avançou cerca de 8%; a gasolina aditivada, quase 10%; a gasolina comum, mais de 10%; e o diesel, aproximadamente 17%. É uma alta forte, rápida e generalizada, que não ficou restrita ao combustível mais exposto às oscilações do mercado internacional.  

Há, porém, um ponto importante de contexto. A afirmação de que não houve nenhum reajuste da Petrobras não se sustenta integralmente. A estatal reduziu a gasolina em 27 de janeiro e, mais recentemente, anunciou reajuste do diesel para as distribuidoras a partir de 14 de março, com impacto estimado em R$ 0,32 por litro no diesel vendido nos postos. Ou seja: para gasolina não houve reajuste recente da Petrobras nesse intervalo, mas para o diesel houve, sim, aumento oficial. Ainda assim, a elevação observada no Piauí, de R$ 1,04, ficou muito acima desse valor isolado, o que ajuda a explicar a pressão por investigação.

É justamente aí que mora a principal suspeita. Quando a guerra pressiona o petróleo, o mercado costuma reagir primeiro no diesel e em derivados mais diretamente conectados ao comércio internacional. Mas, quando a alta se espalha por todos os combustíveis, inclusive o etanol, e em proporções tão distintas, cresce a necessidade de apurar onde termina o efeito externo e onde começa um possível abuso na cadeia de distribuição e revenda. Essa é a linha que agora passa a ser observada pelos órgãos de controle.

No fim das contas, o que se vê no Piauí é um consumidor encurralado entre a instabilidade geopolítica e a falta de transparência na formação dos preços. A guerra começou longe, no Oriente Médio. Mas o impacto, esse, já estacionou nos postos piauienses , e chegou caro

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